Jogo de extremos na produção de sentidos
Novembro 22, 2007
“Díficil é fazer fácil, quando se cria, o segredo é pegar o complicado e tirar o essencial que é o simples” essa é a filosofia da banda Suco Elétrico. Sem se acomodar, estão sempre experimentando e aproveitando a versatilidade do rock, desde o punk até o som progressivo
Está tudo pronto e em família. Numa “casa”, onde habitam quatro, sendo desses, três irmãos, as “coisas” se resolvem assim:“Já brigamos muito na infância, então agora é fácil de resolver qualquer diferença: é só chamar o pai e a mãe”, brinca Alexandre Rauen.
Enquanto uns irmãos se separam e trilham o seu próprio caminho (lê-se, caso você esteve fora de órbita, Sandy e Júnior) outros vêm jogando com extremos na produção de sentidos na sonoridade sulista.
Fazer um rock libertário, vigoroso e sem limites é a proposta da banda, que desde 99 vem liquidificando sentidos dissonantes de forma prazerosa. A história toda começou quando Alexandre e Cássio, que já tinham composições próprias resolveram montar a banda. Para isso, chamaram Dani, irmã de Alexandre nos vocais, Drunk (baixo)e Augusto, o outro irmão, violão e guitarra.
Seguindo inversamente o já tradicional caminho de muitas bandas, optaram por fazer primeiro um disco ao vivo antes do de estúdio. O projeto do novo disco começou em 2005, contando com o produtor e músico Marcelo Fruet (o 6º suco onorário) e foi feito ao longo de dois anos. “As composições, produção, ensaios, gravações e mixagens sempre aos fins de semana”, conta Alexandre.
O processo de criação segue duas vertentes, a primeira, onde normalmenteas letras são escritas por Alexandre, e a outra quando as mesmas surgem de maneira improvisada. E assim, com a experiência adquirida, a banda a musicalidade da banda foi sofrendo mutações, o som ficando mais pesado, menos complicado e no lugar do violão, somente guitarras.

Não seguir padrões que deram certo. Ser único e diferente é o que te dá personalidade, diz Alexandre. “Essa mania de a gente ser exatamente com a gente é ainda vai nos levar mais além”. (Paulo Leminski)
Fontes inebriantes
Bebendo no new journalism , o nome foi livremente inspirado no alucinógeno e psicodélico: O Teste do Ácido do Refresco Elétrico, do jornalista americano Tom Wolf. Na bagagem musical e cultural carregam: Mutantes, Black Sabbath, Stooges, Beatniks, Paulo Leminski, poesia urbana, Porto Alegre, Londres e muito mais.
Receptividade e a cena gaúcha
“Não somos figurinhas fáceis de encontrar por aí, mas quem nos conhece acaba se interessando muito pela banda, e quem não nos conhece um dia vai conhecer”. Alexandre acredita que, com o lançamento do 1º disco de estúdio, as pessoas vão poder conhecer, como ele mesmo denomina, um trabalho autêntico,sofisticado pelo cuidado com todos os detalhes, divertido, vigoroso e urgente. E complementa “Temos um público grande no interior do Rio Grande do Sul e em outros estados, princilpalmente São Paulo e Paraná”.
“O mundo é maior que Porto Alegre e está na nossas mãos pela internet.”
A despeito da cena gaúcha, o músico diz que ela é interessante, mas há um fenômeno maior que a música, são as relações públicas. “Tua banda pode nem ser tão boa ou nem tão original, mas se você conhece as pessoas certas e frequenta os lugares certos tua chance é maior”. Outro fenômeno a ser levado em consideração, segundo ele, é que, fora do estado, todos acham que há um mercado sustentável de pop rock. Mas na verdade, as bandas que vivem dele tem 20 anos de estrada. “Claro que temos que dar graças aos céus por existirem rádio e publicações locais que abrem espaço . Ainda não temos festivais como os que acontecem no resto do país, talvez por existir uma cultura competitiva no RS ainda não conseguimos nos unir e gerar força de organização. São poucos os lugares para tocar som autoral, e normalmente, com uma qualidade de som ruim”.
Fugindo um pouco da proposta inical do blog, que é falar de bandas que tenham ao menos um integrante universitário, apresentamos afinal eles quem é quem fazendo o seu o que nas centelhas sonora da suco eletrico… já passaram pelos bancos escolares:
Alexandre Rauen: Bateria e vocal. É cirurgião dentista,escritor frustrado,pai do Vítor e representa a central de atucanação da banda.
Dani Rauen: Vocal. É funcionária pública,artista plástica e recém casada em lua de mel.
Augusto Rauen: Guitarras. É advogado, frequenta festas eletrônicas e prefere ir à praia que ensaiar.
Cássio Cunha: Guitarras, teclados e vocais de apoio. É engenheiro mecânico,trabalha com softwares, mora em Canela e é careca.
Fernando Rodrigues (drunk): Baixo. É dono de farmácia,está gordo e é a tranqüilidade em pessoa.
Liquidificando-se ao som da suco,
beba sem moderação
Para conhecer:
www.sucoelectrico.com.br
www.myspace.com/sucoelectrico
www.tramavirtual.com.br/suco_electrico